sexta-feira, janeiro 21, 2011

Quem é o meu patrão? Um texto sobre o empregado e seus empregadores.

Muito comum quando encontro velhos conhecidos e ex-colegas de trabalho e alguns estão bem financeiramente e agradecem a isso ao sucesso profissional. Alguns comentam: " Hoje estou responsável pelo marketing de todo o grupo de empresas que trabalho", "A empresa foi unificada e hoje faço análise financeira das empreas X e Y do grupo". Não raro vejo colegas assumindo posição de destaque, porém em empresas que se fudem ou empreas de um mesmo grupo de acionistas que decidem unificar a administração. Poucos os que crescem sem uma unificação de empresas. Isso considerando empresas locais e de médio porte, pois assim analisei.

Então vejamos. Qual o crescimento profissional neste caso? Mais responsabilidade com aumento salarial também? Acredito que não é tão fácil assim. O contrato inicial entre empregador e empregado está atrelado a uma única empresa (neste caso não considerando holdings), existe somente um CNPJ assinando a Carteira Profissional do trabalhador. Então porque o mesmo trabalhar para duas ou mais empresas? Para o própria empresa uma simples redução de custo e com muita lógica. Não seria necessário colocar vários gerentes de RH para um grupo de filiais se pode-se contratar um gerente para o RH da matriz. A discursão não é facil, haja visto que a relação empresas matriz e filiais é complexa, bem como a relação empresa de um mesmo grupo com mercados semelhantes, exemplo um grupo de comunicação que possui TV, Rádio e Jornal.

A relação então entre o trabalhador de um grupo e de uma única empresa e sua conformidade com o seu trabalho, trabalho este caracterizado pela capacidade intelectual versus horas trabalhadas como fator de produção, se concretiza de forma saudável no momento que o próprio trabalhador se sente capaz de continuar a produzir levando-se em conta o que foi acordado no dia da contratação. Ou seja, o indivíduo pode produzir o mesmo bem ou serviço para uma ou mais empresas de forma que o produto de sua hora trabalhada seja indiferente de qual empresa irá receber este fator produzido. Por exemplo, um analista financeiro de um grupo de comunicação que observa o crescimento da receita das diversas empresas de comunicação apenas como linhas em seu relatório não teve aumento do fator produtivo mais que um possível aumento salarial, porém o mesmo analista quando se defronta com uma possível fraude, aumento nos custo de produção, auditorias e deverá analisar cada empresa de forma separada para saber a origem do problema, neste momento o faz perdendo seu fator de produção e demanda mais horas de trabalho.

Esta relação entre o homem no ambiente de produção para um ou mais "patrões" é complexa pelo modo que o trabalho é descaracterizado no modelo capitalista de produção. Em que a dimensão da produção, lucros obtidos, custos de produção, quantidade de trabalhadores, clientes e outras informações não são divulgadas em sua plenitude. O indíviduo não tem a dimensão do seu bem produzido. não enxerga aonde terminou o seu trabalho, não ver aquilo que produziu, não é paupável por mais concreto que seja quando o vendedor vende e o cliente o compra.

Mas então façamos rapidamente o papel de "advogado do diabo" e voltemos para o dia da contratação desse trabalhador. A empresa comprou a sua força de trabalho independente de lucros, pois o sujeito aqui presente, o trabalhador, não é sócio ou mesmo cooperado, o mesmo trabalha com as mesmas ferramentas e no mesmo tempo, independente da quantidade de empresas, possui tão somente uma única capacidade intelectual, ou seja, não exerce mais de uma função ou atividade e em casos raros foi promovido com aumento de renda. Este discurso caracteriza o isolamento do homem com o meio produtor, o próprio acredita que produz de forma isolada  e desta forma não questiona o produto final, dar-se então a inocência de não se saber para quem vendeu a força de trabalho e este acaba por trabalhar para uma ou mais empresas.

Nenhum comentário: